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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "Fragmentos" - 15

"A Arte e nada além da Arte! Ela é a grande possibilitadora da Vida, o grande estímulo à Vida". Nietzsche.

Depois de uma noite de teatro, fragmentos de um diálogo:

1: ontem fui ver um espetáculo da Maura Baiocchi
em Brasília mesmo
Zaratustra
o espetáculo foi bem legal
e bem doido

2:posso imaginar...
Me fala das suas impressões

1: hum..
sei não..

2: dá para entender alguma coisa?

1: sim
mas o lance não é entender...

2: claro, esse velho papo de sentir o espetáculo....

1 : o texto é louco e cansativo... mas, se for pra ler o texto, é melhor ir pra uma biblioteca...
acho que poderiam ter trabalhado melhor o texto, pra ficar mais "fluido", sei lá...
mas por isso digo que o lance foi mais sentir do que entender...

tem uma cena, por exemplo, (na verdade, um movimento...hehe) em que os caras ficam 5-10 minutos no palco tremendo...direto, sem parar.
louco isso.
mas a sensação é essa mesmo: exaustão
êxtase!

2: epifania pura!

o figurino e cenário é como de grande produção?
o trabalho corporal e expressivo é intenso?

1: o figurino é lindo.
e a maquiagem também

1:Outra cena: Nietzsche vai pro bordel.
e daí encontra a verdade, a preguiça e vida!
ele flerta com a vida..
e a verdade fica tentando, tentando..e nada

e por falar em sexo, como anda sua vida?

Serviço:
Encenação de Maura Baiocchi e Taanteatro Companhia inspirada na vida e no pensamento de Friedrich Nietzsche com foco na obra poético-filosófica "Assim Falou Zaratustra - um livro para todos e para ninguém", escrita entre 1883 e 1885.
Temporada | 11 a 21 de junho de 2009 - quinta a sábado - 20h00, domingo - 19h00
Teatro Plínio Marcos - Complexo Funarte - Brasília

Foto: Milton Freitas

June 8, 2009 | 6:54 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Série "Fragmentos" - 14

(...)

Vendo um videozinho bobo na internet, surgiu uma ebulição de palavras...resolvi pôr logo pra fora, antes que causasse mal...

"Mas no que mais fiquei pensando foi no poder - não da comunicação - mas daquilo que não pode ser comunicado e que, ainda assim, é sentido. Talvez pudéssemos dizer "paixão", ou quem sabe mesmo "conquista". É impressionante notar o poder dessa afecção nos personagens - e, porque não, na gente também.
É uma força poderosa essa da conquista, né?.
Ela faz o mundo ficar mais agitado, intenso, iluminado.
Faz as coisas terem outro sentido, talvez um sentido mais trágico, mas nem por isso menos interessante.
Faz a gente dar mais risadas - não daquelas que damos quando estamos "sem graça", como um soluço, mas daquelas risadas maquiavélicas que dão somente aqueles que se sentem, ainda que rapidamente, os donos do mundo.
Faz a gente sentir mais na pele - e, por isso mesmo, mais profundamente - o sabor, o odor, o toque e o jeito das coisas.
O mundo parece ser mais nosso, mas não porque temos mais "coisas do mundo" na gente. Mas porque o mundo "nos tem" mais inteiros, mais dispostos, mais entregues, menos amedrontados, mais animados, mais vivos.
E, quando estamos mais vivos, respiramos mais.
E, quando respiramos mais, entramos mais em contato com o interior e com o exterior da gente - na verdade, se faz menos rígida essa fronteira entre o que é "interior" e "exterior".
E, porque respiramos mais, produzimos mais radicais livres - rejeitos do processo de queima de energia aeróbia que a respiração provoca e permite.
E, com isso, morremos mais depressa.
No fim das contas, parece que viver melhor é morrer mais (depressa). Ou, se preferir, parece que viver mais (intensamente) é morrer melhor (e mais depressa, do mesmo modo!)".

(...)

May 15, 2009 | 1:37 PM Comments  1 comments

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VOR: Fotos de Boston

Os barcos estão prestes a partir para o próximo trecho oceânico, de Boston para Galway, na Irlanda. Mas nunca é tarde para compartilhar algumas fotos da festa que foi a stopover de Boston.
Quem dera eu pudesse ter ido até lá. Mesmo assim o Aventureiro, com sua rede internacional de colaboradores (parece até a Globo) [...]

May 14, 2009 | 8:05 AM Comments  0 comments

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Tragédia no Everest

 

A temporada de ascenções começou a pouco tempo no Everest, mas a montanha mais alta do mundo já fez suas primeiras vítimas. Uma avalache atingiu uma uma equipe que estava logo acima do acampamento base, levando a vida de dois escaladores. Os detalhes ainda são meio escassos, pelo menos uma das vítimas já foi [...]

May 11, 2009 | 9:05 AM Comments  0 comments

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VOR: Telefonica Blue arrasa em Boston

A tarde de ontem foi do Telefonica Blue, que levou as duas regatas in-port. O time venceu de ponta a ponta em ambas as regatas, deixando poucas changes (nenhuma na verdade) para as outras equipes.
Perdeu a regata ao vivo? Sem problemas, assista novamente na Volvo Ocean Race TV.

May 10, 2009 | 9:05 AM Comments  0 comments

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VOR: In-port de Boston é amanhã!

Para não perder o costume, lembramos para vocês que amanhã acontece mais uma regata interna da Volvo Ocean Race. Desta vez o palco será a cidade de Boston, nos EUA. Os sete times vão disputar a já conhecida regata no percurso sotavendo-barlavento, e por aclamação das outras equipes, desta vez o Telefonica [...]

May 8, 2009 | 3:05 AM Comments  0 comments

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A Ilha

O último post da série LuizLog foi “Na estrada com Langutane“. Se você quer ver todos os posts da série, clique aqui.
Todos nós sabemos que há muitos paraísos perdidos na África. Embora tenhamos, talvez, certo receio em nos aventurarmos pra lá, é sempre bom conferir os relatos de quem achou algum desses paraísos pra explorar [...]

May 7, 2009 | 10:05 AM Comments  0 comments

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Espaço: A última fronteira

Pessoas com um pouco mais muito mais dinheiro do que você e eu já podem entrar pro seleto clube de viajantes espaciais. Toda hora aparece um milionário russo, americano ou coisa do tipo que desembolsa uma quantia astronômica(desculpem o trocadilho) para dar uma voltinha no espaço. Enquanto nós, pobres proletários, não conseguimos fazer isso, [...]

May 7, 2009 | 8:05 AM Comments  0 comments

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La dolorosa

Eso no es razonable
Pero tanpoco es impensable

Lo que nos atinge es el deseo
Lo que nos mueve es el imposible
Lo que nos queda es la memoria
Lo que nos resta es la historia

Tan largo como el pelo tuyo
Tan rápido como se va la paciencia mía
Tan fuerte y suelto
Tan sencillo y roto

Una noche soñé contigo
Era una noche gris
Las nueves tapaban la luna
La luna tapaba las estrellas
Y todo eso dificultaba la conexión

Aun así, apareció aún una vez más
Que hermosa cuando tu venías
Que encanto cuando te ibas
Que suspiro cuando te quedabas
Que alivio cuando tu estabas

Eso no es soportable
Pero tanpoco es desagradable

El dolor tiene su límite
y qué humano lo sabe tan bien
¿que no se tome sorprendido
por lo tener superado?
o por lo tener olvidado?

Con más dos segundos
en frente a los ojos tuyos
¿como cambiaria el mundo?
¿como quedaría la vida?

Y, peor, como comprender,
que nada haya cambiado de todo
¿Aún que tengamos cambiado por completo?

By MBF - 04/05/09
Foto: Orlando Pedroso

May 4, 2009 | 5:13 PM Comments  2 comments

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O que é que tem?

ou Il y a...

Aqui tem mesa de jantar
Sofá pra gente sentar
Cama pra gente amar
Rede pra balançar
Roupa e alguma louça pra lavar

Aqui tem pureza e sacanagem
Liberdade e libertinagem
Seriedade e molecagem
medo, ousadia, prudência e coragem

Aqui tem um céu para cair
e um inferno pra subir
Tem um homem e uma mulher
e tanta coisa pra separar
Tem a discórdia e a concórdia
e um altar pra reunir
Tem, afinal, nossa história pra abençoar

Por isso, toda noite, com as mãos em prece
eu quero poder agradecer
a vontade que ainda cresce
a vontade de querer lhe ver

Aqui tem cadeira de balanço
e poltrona de descanso
É um canto de retiro
O lugar de um suspiro
com assovio manso de querer ficar

Por isso, todo dia, com as mãos na massa
eu quero poder fazer
a comida da nossa fartura
a bebida mais pura
o amor mais lindo e com ternura
que nos faça enrubescer

Aqui tem banco de praça
e felicidade que vem de graça
É um porto seguro
num dia de apuro
com brisa leve pra despertar

Por isso, toda tarde, com os olhos no horizonte
eu quero poder pensar
em como chegamos até aqui
em como vamos daqui pr'ali
em como posso fazer, mais uma vez, você sorrir
com as perguntas mais bobas sobre dia,
sobre o mundo, o trabalho, a vida e a alegria
sobre o que foi, sobre o que vem e o por-vir

Aqui tem chão, tem parede e teto
tem janela virada pro mundo
tem combogó de concreto
tem canto torto, tem canto reto
tem a frente e tem o fundo
Aqui tem o mundo todo,
e aqui tem tudo pra todo mundo

Aqui tem espaço e tem aperto
tem conta e ventilador
tem armários, persianas e até liquidificador

Pra quando tudo ficar difícil
Pra quando o que for dito não for entendido
Pra quando cada um olhar para um lado
Pra quando nada mais fizer sentido
Pra quando um se sentir acuado
Pra quando a lágrima virar ferida
Pra quando a dor surgir lenta e forte
Pra quando não houver mais saída
Pra quando o dado lançar a sorte

Aqui tem água e sabão
Pinho sol de limão
Veja multiuso de rápida evaporação
Bucha, rodo, vassoura e esfregão
Aqui tem de tudo um pouco
um pouco de cada coisa
e muito da coisa toda

Aqui tem grito mudo e sorriso rouco
Aqui tem um casal apaixonado
Aqui tem abraço apertado
Amor forte, puro e louco
Amor adolescente, maduro e senil

Na nossa casa, dentro do peito
Lá no mundo e em todo canto
Temos tudo a que temos direito
Temos tudo, finalmente, que quisemos tanto

By MBF - 26/02/09 - Dia de casa nova

February 28, 2009 | 1:59 PM Comments  1 comments

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Colando um grau
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Disseram pra eu publicar logo o discurso de formatura, antes que aparecesse em algum outro blog, assinado por outra pessoa...

Eu acreditei...

Boas (re)leituras!



Discurso do orador da turma de formandos em Filosofia do semestre 2/2008, feito em 06 de fev. de 2009, por Mateus Fernandes.

Colegas Filósofas e Filósofos.
Queridos pais e mães, avôs e avós.
Pessoas que vieram comemorar conosco.
Excelentíssimos professores e professoras.
Demais seres que estejam por aqui.

O dia da formatura é realmente um dia especial. E, portanto, assim deve ser comemorado.
Esta palavra, co-memorar, não aparece nesta apresentação sem propósito – devemos mesmo trazer à memória, juntos, o que nos coloca reunidos neste dia de hoje.
Devemos nos lembrar que somos formandos (bacharéis, licenciadas e licenciados) e, com isso, nos é dada a chance – talvez única – de vermos claramente os desafios que se foram e os desafios que virão.

Neste dia especial, temos a oportunidade de saber que encerramos um ciclo, o estudo superior em Filosofia ou em Serviço Social. Podemos, ao fechar esta primeira porta, olhar para que o ficou atrás dela, olhar para o nosso passado e para aquilo que nos fez chegar até aqui e que nos constitui como somos hoje.
Também podemos, ao fechar esta porta, olhar para diante e, não sem certo ofuscamento, vislumbrar o corredor, o abismo ou o horizonte que há em nossa frente.
Num corredor haverá, por certo, outras portas ou a “luz no final do túnel”.
Diante do abismo, haverá a oportunidade de saltar ou de caminhar sobre sua corda bamba.
Diante do horizonte, há o aberto – e o medo e a aventura de ousar seguir. Ou, como nos ensina o peregrino de Compostela: o horizonte torna necessário dar o próximo passo.
O horizonte estará lá, sempre lá, a se afastar de nós, nos lembrando que o mundo é infinito, embora redondo; que o mundo é perto, embora vasto.

Nesta noite de comemoração, aproveito para trazer à memória – coletiva ou individual – as, agora distantes, aulas de português do ensino fundamental ou médio. Numa dessas aulas, nossas professoras e professores insistiam na importância dos “verbos de ligação”.
Era o tempo em que estávamos, entretanto, mais “ligados” em outras coisas, não é mesmo?
Com tais verbos poderíamos fazer ligações entre frases e orações, além de algumas outras estripulias sintáticas que não nos interessam particularmente neste dia de festa.
Hoje, tentarei me utilizar deles para realizar algumas estripulias filosóficas, como bem caberia ao orador da turma de formandos em Filosofia.

Peço que me cedam 6 minutos a mais de sua atenção, pois estas serão nossas – minhas e de meus colegas – últimas palavras como estudantes de graduação.

Se ainda não lhes chegou facilmente à memória – confesso que levei certo tempo para ter certeza de quais eram os tais “verbos de ligação” ao escrever este texto – vou poupar-lhes esforço: ser, estar, permanecer, ficar.

O ser – que deixa de ser verbo de ligação para assumir posto de “entidade metafísica” na filosofia – foi vastamente explorado em nossa bibliografia clássica. Há um sem número de autores – de Platão à Heidegger – que procuraram tratar filosoficamente desta “entidade”. Não é pra menos que, num dia filosoficamente interessante como hoje, algumas das pessoas que estão aqui sentadas podem se perguntar:
– O que é mesmo que eu sou?
– No que foi mesmo que eu me transformei?
Outras, no entanto, talvez nossos pais, podem estar – já há algum tempo – se perguntando:
– O que é mesmo ser um filósofo?
– O que é esta tal de filosofia?
Nós, como astutos filósofos e filósofas, já sabemos que estas são questões que, se nos apareceram antes mesmo de entrarmos neste curso, talvez só sejam respondidas em finais de carreira – ou nem isso.
Não porque sejam questões “de final de carreira”, quando a desesperança e a apatia talvez tenham tomado conta de nossas produções. Mas porque elas sejam, de fato, questões para um Filósofo – daquele que já alcançou o status de ser citado com letra minúscula ou como adjetivo.
O Ser, portanto, está íntima e, até promiscuamente, atrelado aos laços cândidos e cruéis da filosofia.

O segundo verbo de nossa lista – o Estar – traz, à luz de nossas considerações, um certo apaziguamento:
– Estou indo!
– Estou fazendo....
– Estou estudando...
– Estou filósofo.
Há um ar de continuidade, ou uma intenção de destacar o aspecto temporário, contingente, de tal fato ou ação.
Porém, por outro lado, o verbo “estar” muitas vezes acompanha decisões importantes, talvez regidas por domínios da ética ou da moral. Quem de vocês, colegas, nunca se perguntou:
– O que é que eu estou fazendo aqui?
– Porque é que estou estudando filosofia?
Estar, no aqui e no agora, eis a grande tentativa dos homens desde os primórdios – e também dos budistas, claro!
Estar não faz ligação somente com aspectos subjetivos, existenciais. Estar indica localização geográfica, apresenta territórios, indica espaços. Como a geografia humana – grandemente desenvolvida no Brasil por Milton Santos – pretendeu enfatizar, estar é um aspecto filosófico ligado à ética, ao ethos humano na Terra.
Não foi Kant quem no indicou que uma das 3 perguntas fundamentais à filosofia seria “O que posso fazer?”?
Neste mundo de muitas certezas vazias, podemos dizer, com Foucault, que durante o curso de filosofia ou de serviço social aprendemos a crer por demais na verdade e na contingência para acreditarmos que só exista uma verdade e que as coisas tenham que ser como vêm sendo até agora.

Mas, para dar conta de tanta mudança, tanta contingência, tantas verdades, eis que nos atrelamos agora ao verbo “permanecer”.
A despeito da inigualável capacidade de auto-destruição que o homem acumulou nestes últimos séculos, ele ainda tenta, às vezes desesperada e assustadoramente, “permanecer”.
Alguns tentam permanecer vivos – porque a única chance que lhes é dada é a de, quando muito, sobreviver.
Alguns tentam permanecer de pé – quando a apatia convidativa do sofá-em-frente-da-TV se torna hegemônica.
Alguns tentam permanecer pensando – quando talvez este seja dos atributos mais raros e caros aos seres humanos.
Ante todas essas “permanências”, também aprendemos durante nossos cursos sobre a fragilidade e sobre a “impermanência” das ações humanas.
O que permanece do homem são suas obras e não sua humanidade. “Os homens são filhos de suas obras”, diria um filósofo, e também são artistas da mesma obra.

Assim, se saímos do domínio metafísico-existencial do “ser”, passamos pelo contingente domínio do “estar” e chegamos bravamente ao domínio político do “permanecer”, resta-nos apresentar o verbo “ficar”.

Se, nos dias de hoje, o “ficar” é encarado como “algo passageiro”, esta não era a idéia inicial que aprendi lá nas minhas aulas de português.
Em filosofia, talvez pudéssemos dizer que o que “fica” no mundo é só a natureza, eterna e imutável.
Posso citar como exemplo, ainda que grosseiro, o fato de que continuamos chamando de Floresta Amazônica aquele lugar cheio de árvores; hoje nem tanto, e cada dia menos. Mesmo que todas as árvores que existiam no tempo em que alguém deu o nome de Floresta Amazônica praquele lugar não existam mais, ainda chamamos aquele conjunto de árvores, todas mais ou menos recentes, de Floresta Amazônica. Ela é imutável e permanecerá – tomara! – eternamente.

E isso nos dá, ainda que de maneira breve e caricata, uma amostra de alguns dos domínios estudados na Filosofia e no Serviço Social.
São estas algumas das questões com as quais lidamos – e poderemos lidar daqui por diante.
E, claro, é o modo singelo como podemos saudar as professoras e os professores que nos ensinaram os “verbos de ligação” para melhor compreendermos os vastos domínios da filosofia e do serviço social.

Para concluir, é preciso explicitar, entretanto, que esta lúdica distinção entre os verbos de ligação poderia nos servir também como um alerta. Um alerta que é feito de tempos em tempos, mas que é muito pouco ouvido em dias atribulados como os nossos.

Quando aquilo que “está sendo” passa a ser encarado como pronto e acabado, quando passa a “ser”; em outras palavras, quando a ética se reduz à metafísica, então os humanos passam a contemplar mais as estrelas do que os olhos de seus companheiros ou de seus adversários. E, naturalmente, deixam de se importar com eles.
A ética – e a filosofia – deixaria, desse modo, de ser um problema “entre os homens” e passaria a ser um estudo teorético sobre aquilo que está “para além” dos homens e do mundo.
A filosofia que “está sendo” passaria a ser a história do que já foi.

Quando as obras que deveriam ser feitas para “permanecer” são apresentadas como obras que “estamos fazendo”, que “estamos concluindo”, deixa-se de crer na política.
Quando a política do “permanecer” se reduz à ética do “estar”, ou a uma ética normativa que nos diz como devemos fazer nossa obra comum, então a novidade se esvai do mundo. Veríamos um mundo despolitizado e sem a arte criadora, ou veríamos uma política que sufoca a novidade tanto quando os conflitos inerentes a ela.

Quando os homens não fizerem nada mais para “permanecer”, então os tempos serão descartáveis, então as obras serão de plástico, então a vida será fugaz e vã.

Finalmente, quando aquilo que deveria “ficar” puder ser descartado, quando puder “perecer”, veremos um mundo “desencantado”, com já diagnosticou Max Weber.

Mas, em dias de crise financeira como os nossos, vale lembrar que a economia tampouco pode ser transformada em metafísica, como já advertia Aristóteles.
Para ele, as regras da casa – significado de economia – devem ser geridas pelos homens, no mundo. Ou seja, em nossa casa comum (e não nos escritórios particulares).

Assim, para encerrar esta apresentação, gostaria de fazer um último gentil pedido.

Se os filósofos ou as filósofas lhe parecerem, algum dia, muito confusos, leve em consideração a diversidade de questões que provavelmente estão habitando sua cabeça naquele momento de confusão.
Se os filósofos ou as filósofas lhe parecerem, por um instante, muito teóricos, tente se lembrar que alguns deles realmente miram, vez ou outra, as estrelas – talvez buscando horizontes mais distantes para continuarem sua caminhada.
Se os filósofos ou as filósofas lhe parecerem, por qualquer motivo, muito estranhos, loucos mesmo, tente cantarolar aquela velha canção que diz que, de perto, ninguém é normal. No fundo, este pobre filósofo ou filósofa está sendo humano, talvez somente demasiado humano.

Agradeço a escuta de vocês.

Boa comemoração.

Sejam felizes!



Crédito da Foto: Tereza Pires

February 9, 2009 | 1:14 PM Comments  0 comments

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Apanhador de Sol
About this event: Inscrições abertas para o Fórum Social Mundial 2009. Amazônia, território protagonista


Alguns tentaram tapar o Sol com a peneira...
Alguns fizeram-se de deus Sol...
Alguns queriam nos iluminar como Sol...
Alguns voaram até o Sol...e caíram...
Alguns, diante de seu poder, preferiram vê-lo como uma pequena pepita...

Alguns gostam do Sol.
Outros preferem a Lua, esquecendo-se que seu brilho vem dele.

Alguns odeiam o Sol.
Outros adoram a praia, o dia, o calor e a cor das flores... mas odeiam o Sol.

Alguns, em suas horas vagas, gostam de brincar de apanhar sóis
Outros, em outras horas vagas, planejam ser abridores de manhãs.

Eu, de minha feita, fiquei pensando
Quando chegava em Belém
Depois de muitas horas vagas:
- O que é que eu faria, se tivesse um Sol pra mim?

Crédito da Foto: Mateus Fernandes - tentando apanhar um solzinho pra poder controlar o calor de Belém.

Outras fotos do FSM 2009 aqui.

February 6, 2009 | 2:12 PM Comments  0 comments

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Un Intento Inolvidable
About this event: Inscrições abertas para o Fórum Social Mundial 2009. Amazônia, território protagonista


Depois de um Fórum Social Mundial, algumas pessoas - como eu - se sentem naturalmente mais "mundiais", embora nem tanto "sociais".
De toda forma, me sentindo mais "latino", escrevi as palavras abaixo. Umas poucas, diante da imensidão que não conseguiu sair...


Inolvidable

Hay algo que pasa
Hay algo que ocurre
Hay algo, definitivamente

Algo sencillo
Y, al mismo tiempo, poderoso
Hay algo que siento
Algo más allá de adentro
Algo distinto
Pero siempre gustoso
Que me hace satisfecho
Como las cosas familiares

Hay algo que ha venido
Y que no sé si se va tan temprano
(y que no se vaya!)

Hay algo, sin duda,
Que no sé que es
De lo que no me olvido
(ni me olvidaré, quizás!)
Pero que no lo sé decirle
(y no lo quiero, en verdad)

Pues mismo que lo supiera
Mismo que eso que hay
Se aclarase de pronto
No usaría las palabras para decirlo
Ellas no me dirían lo que es que hay

De las palabras nos olvidamos
Y yo sé que eso que hay
Es inolvidable
Como las cosas que hay
Más allá de adentro
Más allá de lo que siento
Más allá del distinto
Más allá del intento
(y más allá de lo que yo sustento)


By MBF - 03/02/09

Crédito da Foto: Mateus Fernandes - foto das redes do barco que tomei entre Manaus e Belém, antes de ir ao FSM

February 4, 2009 | 8:19 PM Comments  0 comments

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MateusFernandes   MateusFernandes Mateus Fernandes's TIGblog
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Aniversário em Janeiro

Um dia, por volta do ano de 44 antes da era cristã, um monge analfabeto resolveu botar ordem na confusão que havia se tornado o calendário do vasto império romano.

Quando Júlio César tomou o poder, o ano teve mais de 450 dias. Talvez por esse motivo, aquele ano tenha sido conhecido com "o ano da confusão". Nessa reforma empreendida pelo César, houve inclusive a alteração da ordem dos meses - e janeiro então passou a ser o primeiro mês do ano, já que era, até aquele momento, o último.

Se eu nasci então no primeiro ou no último mês do ano, pouco importa.

O relevante é notar que o mês de Janeiro - que abriga tanto os signos de aquário quanto os de capricórnio (imaginem só!) - nasce com a missão de ser um divisor de águas.

O deus Janos, do panteão romano, que é o guardião do portão do Olimpo - a morada dos deuses, tinha dois rostos. Isso permite que ele olhe tanto para frente quanto para trás, ao mesmo tempo. Um guardião do que vem e do que já foi. Um protetor dos caminhos - tal qual Exu...

Portanto, o mês de janeiro foi criado por ser um mês que separa um ano do outro - essa estranha passagem que nos faz celebrar a mudança, fazer novos planos, prometer reviravoltas e tomar álcool para tentar esquecer de tudo! Sendo o último mês do ano - antes da reforma juliana - ou sendo o primeiro, o que importa é a marca do deus Janos: um olhar para trás sem perder a atenção no que virá, estando sempre entre o passado e o futuro. Ou seja, estando plenamente presente.

January 15, 2009 | 11:52 AM Comments  0 comments

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shennel   shennel Shennel's TIGblog
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2009

I have declared this year to be my year of opportunity. I will make this year my own. Grab on to all opportunities handed to me and make the most of it. No more leaving things for later. Or waiting for something better.

January 10, 2009 | 8:52 AM Comments  0 comments

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